Se meu pai tivesse apenas me apresentado o samba, o Maracanã e o hábito de usar a seta ao dirigir, já teria cumprido tranquilamente seu papel, ao meu ver. Para melhorar, porém, ele de vez em quando ainda solta umas boas histórias. Uma das últimas, pelo que ele lembra, veio da lavra do Sérgio Cabral (o pai, o pai).
O camarada era um grande apreciador de vinhos, e mantinha em casa uma bela adega na prateleira, de diferentes safras, procedências e estilos. Como era de seu costume, ao cair da noite o cara vinha e dava uma bicadinha numa de suas crias, soltando suspiros de felicitações a cada gole naquelas preciosidades. O resultado daquele hábito eram prateleiras abarrotadas de garrafas sempre com alguns poucos dedos de vinhos finos. Um dia, ao chegar em casa, deu pela falta não de uma garrafa, mas de um porrilhão delas. Ao olhar arregalado, sem acreditar no que via, foi acolhido pela boa e santa empregada:
– Ficou com muito mais espaço, não é senhor? Peguei todos aqueles restinhos e pus numa garrafa só!
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Além de um belo causo, a história acima pode ser uma boa lição para nós, jornalistas de luta. Algo como: pode até parecer prático, na hora é difícil de resistir, mas nem tudo cabe no mesmo pote. Pensei nisso ao ler outro dia, num site de lutas, uma análise que pregava que, após a Copa do Mundo de futebol e as derrotas de Minotauro e Wanderlei no Pride GP absoluto, 2006 seria um ano para ser esquecido, mesmo que ainda estivéssemos em agosto. Além de desprezar o clássico ensinamento de que as derrotas ensinam bastante, tal colocação despreza tudo que o vale-tudo vem conquistando este ano, no Brasil todo e no mundo.
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Portanto, perguntar não ofende: será que Anderson Silva, Demian Maia, Fabrício Morango, Jorge Patino, os promotores do Fury FC e do Super Challenge e, se Deus quiser, Paulão Filho, concordarão que 2006 é para ser esquecido?
Domingo, 22 Outubro, 2006 às 22:07 |
Já que o tema era a imprecisão jornalística, aí vai o que faltou na história (real, de fato) acima: o infeliz patrão chama-se Seu Negreiros, e o que ele guardava mesmo eram garrafas de uísque. O resto está acima.
Sábado, 28 Outubro, 2006 às 02:35 |
Que vexame! (-;