Cena carioca


Foi ontem uma bela domingueira para típicos habitantes do Rio de Janeiro abrirem os trabalhos no Bar Azeitona & Cia e, horas depois, fechar o esquema com pizzas no La Fiorentina, clássica e quase cinqüentenária cantina do Leme. Foi nesta que um curioso tomou coragem e acercou-se da mesa de grandes bambas do traço para perguntar quais seriam seus cartuns favoritos. Atrevido, lembrou um célebre desenho de Jaguar, presente na mesa, no qual viaturas cercam um humilde barracão de favela:

– Saia com as mãos para cima, Lourenço, você está cercado!

– Bah! Não me venha com essa conversa de cerca-lourenço!

À mesa, Jaguar deu de ombros:

– Infame, hein? Eu fiz isso?

Chico Caruso, no entanto, aprovou, emendando com um de seus cartuns favoritos de Jaguar:

– São dois náufragos numa ilha, e é sobre a diferença do paulista e do carioca. Ambos estão esfarrapados, acompanhados apenas de um coqueiro e uma espinha de peixe. O paulista está agachado, deprimido. O carioca está de pé, braços abertos: “Oba, hoje vai dar aquela praia!”

Jaguar se animou:

– Um dos que eu gosto muito foi feito quando eu ainda tinha saco para desenhar tudo em detalhes. Ao fundo, Ouro Preto, aquelas igrejas, e dois caras tomando chope: “Você vai ver! Hoje é assim! Mas no futuro ninguém vai me chamar de Aleijadinho!” Rá, quem é que sabe o nome dele hoje? Ninguém! – ri o mestre.

Os risos e a conversa continuam na mesa, mas o curioso se afasta, sorriso estampado. Nem sempre um fim de semana feliz depende de Obina.

Uma resposta para “Cena carioca”

  1. Groucho M. Disse:

    Bonito!

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